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Nise da Silveira segurando um gato
Artigo

A Revolução do Afeto: Por que Nise da Silveira é mais atual do que nunca

Por Redação UPPA

Em tempos de busca por terapias e direitos, o legado da psiquiatra que trocou o eletrochoque pela arte nos ensina que não se cura o que não é doença.

Muito antes de falarmos em Neurodiversidade ou Luta Anticapacitista, uma mulher pequena em estatura, mas gigante em coragem, enfrentou sozinha o sistema médico brasileiro para dizer uma verdade simples: o afeto cura, a violência não.

Nise da Silveira (1905–1999) recusou-se a aplicar eletrochoques em seus pacientes. Enquanto a medicina da época via apenas a “doença” e tentava eliminá-la à força, Nise viu pessoas.

O Que Nise Ensina à Comunidade Autista?

Embora seu trabalho tenha sido focado na esquizofrenia, a filosofia de Nise é a base ética que sustentamos hoje na UPPA para o autismo.

1. Não se cura o que é humano

Nise dizia: “Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura.” Para nós, isso ressoa forte. O autismo não é uma doença a ser extirpada. É uma forma de ser. Não queremos “curar” nossos filhos de serem quem são; queremos dar suporte para que floresçam.

2. A Arte como Linguagem

Quando a palavra falha, a arte fala. No Museu de Imagens do Inconsciente, Nise provou que mentes consideradas “inaptas” guardavam universos complexos e belíssimos. Muitos autistas não-verbais ou com dificuldades de comunicação encontram na arte, na música ou no hiperfoco a sua ponte com o mundo. Nise nos ensinou a validar todas as formas de expressão.

3. O Animal como Co-terapeuta

Nise foi pioneira em perceber que a relação com animais (gatos e cachorros) acessava lugares do afeto onde o ser humano muitas vezes falhava. Hoje, a terapia assistida por animais é uma grande aliada no desenvolvimento de crianças autistas.

O Perigo do Retrocesso

Lembrar Nise da Silveira é um ato de resistência. Ainda hoje, existem abordagens terapêuticas que focam na obediência cega e na supressão de comportamentos (como o masking forçado).

A luta de Nise contra o “tratamento moral” é a nossa luta contra o capacitismo.

É necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só assim é possível mudar a realidade. — Nise da Silveira

Que a UPPA possa ser, à sua maneira, um pouco do “Engenho de Dentro” que Nise sonhou: um lugar de liberdade, expressão e, acima de tudo, de respeito radical à diferença.

Tags:

#Humanização#História#Anticapacitismo